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Um pouco de bem

Hoje fiz algo inesperado para mim mesmo. Acho que alimentado por uma crescente revolta que sinto ao presenciar abusos, decidi tomar uma atitude que não é condizente com meu jeito de ser. Devo dizer que me sinto muito bem. Incentivo você a tentar isso um dia… não, na verdade todos os dias.

Hoje a tarde, saí de casa para levar meu blazer para a lavanderia. Caminhei até a lavanderia que se encontrava fechada (eu havia esquecido do feriado). Decidi passar no supermercado antes de voltar para casa. Caminhava pelas alas do mercado quando percebi uma mulher, que obviamente tinha acabado de sair de uma aula de ginástica ou academia pelas vestimentas. Ela caminhava rapidamente em direção aos caixas, que estavam em minha direção. Foi aí que percebi um homem, em seus 30, andando atrás dela. Prestei atenção no que ele dizia, perguntando porque “a gostosa não responde?”, algumas frases super classudas depois como “deixa eu te mostrar como se malha esse corpo” ou algo do gênero, algo estourou dentro de mim. Me coloquei no caminho do homem e perguntei qual era o problema dele. Em choque, ele me olhou sem reação e tentou passar por mim como se eu não estivesse falando com ele. Perguntei se ele gostaria que eu tratasse a mulher dele ou a mãe dele dessa forma, se ele achava que ele estava sendo conveniente. Neste momento algo interessante aconteceu, um senhor, que estava pegando frutas, também começou a chamar a atenção do  agressor,  falando que ele deveria ter vergonha na cara e mostrar um pouco de respeito. Depois uma senhora disse que achava melhor o rapaz sair de lá. Rapidamente uma dezena de pessoas se manifestou em defesa a moça, falando pro cara ir embora, chamando-o de sem vergonha e de vários outros adjetivos mais pesados. O homem, sentindo-se provavelmente acuado, largou sua cesta no meio do corredor e saiu rapidamente do mercado.

Fui ao caixa pagar minhas compras, a mocinha do caixa me agradeceu, o rapaz que ajuda empacotar as compras me parabenizou pela atitude e disse que “tem sempre uns babacas fazendo isso aqui”. A moça das roupas de ginástica estava em um outro caixa e sinalizou um agradecimento, obviamente ainda um pouco perturbada pelo episódio.

Devo admitir que saí do mercado um pouco reticente. Afinal, o babaca poderia ter ficado lá esperando eu sair para me agredir ou pior, afinal sabemos que nesta sociedade inerentemente machista em que vivemos, envergonhar um “homem” publicamente é mais do que motivo para ele te dar um soco, uma facada ou pior.

Para minha sorte, ele não havia ficado para se vingar, e honestamente, se estivesse, acho que teria o confrontado novamente. Estou cansado de ver esse tipo de coisa, estou cansado de ouvir histórias de amigas minhas, que tentam fingir que “não foi nada” e que “isso acontece”.

Hoje, uma voz movimentou uma dezena de pessoas. Quem sabe quantas mais ouviram ou ouvirão deste episódio hoje?
Quem sabe, esse cara, pode ter ido pra casa e pensado no quão errado foi fazer o que fez? Posso não ter desfeito o mal que foi feito para a moça, mas fiz um pequeno bem para a sociedade, e isso fez com que eu me sentisse bem.

 

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