Target Audiences and Radishes

Eu tenho voltado um pouco para o mundo do Twitter – talvez porque eu agora estou seguindo pessoas interessantes, ou sei-la, em todo caso, o @peterc (Peter Cooper) postou um Tweet assustador de um assunto que vem ficando cada vez mais rotineiro. Esse é o artigo:
http://www.fastcompany.com/3048980/fast-feed/app-used-23andmes-dna-database-to-block-people-from-sites-based-on-race-and-gender
Vale a pena ler.
Em todo caso eu acabei, coincidentemente, mandando alguns exemplos de coisas que eu achava legal em termos de UX para o @danyman (Dani – agora com Twitter), arquiteto e UX aqui da agência onde trabalho. Ele argumentou alguns pontos que me fizeram ter a inspiração para este post.

O conceito de Target Audience (TA) não é novo… porém, com o avanço da tecnologia, a aparente “total falta de sentimento de privacidade” que os usuários normais tem, junto com a necessidade quase que socialmente imposta de ficar falando sobre tudo que se faz, o que se come, assiste, bebe, compra, onde vamos, como vamos, porque vamos, as capacidades de criar TAs muito específicos está assustadora.
Hoje, no digital, não precisamos mais falar de Classe C – Mulher, 25 – 24 anos, hoje já é possível falar: todas as mulheres que gostam de bolsas vermelhas e que não gostam de sapatos azuis, e que tingem o cabelo com produto X.

Claro que isso tudo é desenvolvido pensando no marketing. Quando falamos de UX e arquitetura, precisamos ser um pouco mais abrangentes, afinal, não é viável (olha aí a deixa que dou para os programadores malucos que queriam se arriscar) desenvolver arquiteturas e interfaces baseadas nos targets ultra específicos que podemos criar nas ferramentas de marketing. É só imaginar ter uma interface para mulheres que tingem cabelo e gostam de vermelho, uma para mulheres que não tingem o cabelo e gostam de vermelho, e aí saímos multiplicando essas interfaces por cor, sexo, cor de cabelo e etc. (que eu não vejo como uma interface poderia mudar nesta situação, mas é o exemplo que é ruim).

Quando pensamos em TAs para arquitetura de software, temos visões mais abrangentes que são definidas a partir de necessidades que identificamos. Essas necessidades são geradas a partir de coisas como “complexidade dos processos”, “nível de experiência do usuário”, “veículo de entrega” e tantas outras variantes. Na real, eu cheguei a conclusão que antes de pensar em tantos targets, precisamos determinar apenas dois: “IS A RADISH” – “IS NOT A RADISH”

Tendo trabalhado mais de 20 anos com digital (seja internet ou CD), eu vi um número enorme de usuários que não se enquadram na categoria “IS NOT A RADISH”, arrisco dizer, que uma boa parte dos usuários cai nessa categoria. São aqueles usuários que conseguem ficar confusos com uma tela que tem só um botão “OK”.

As vezes me pergunto… o quanto vale a pena ficar investindo horas e “dinheiros” em interfaces, quando vamos sempre precisar atender as demandas dos rabanetes digitais?
Felizmente, são nestes momentos que surge algo que revitaliza a minha fé: http://numi.io/

Screen Shot 2015-07-30 at 2.00.13 PM
São interfaces como essa, desprovidas de botões, “clique e arrasta”s, de deseinhos fofos… desconsiderando totalmente os rabanetes, que se quer entenderiam o que fazer com isso…
E é por essas e outras, que eu continuo fazendo o que faço.

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Greg

Old school developer with a passion for food, bikes and a whole lot of weird things.

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